| Médicos e Mitos |
O dia comemorativo ao dia do médico é 18 de outubro, dia de São Lucas que segundo a igreja católica foi um evangelista, também médico. Por estas razões passou-se a atribuir ao médico várias funções sacerdotais e divinas fora de uma realidade, mistificando,endeusando uma simples profissão.
Com estas características ficou a idéia mitológica sobre as atribuições de profissionais, eis aqui, alguns exemplos e suas explicações:1º MITO – médico salva vidas:
Se o médico salvasse vidas, não morriam e seus familiares e entes queridos perpetuariam, portanto o médico promove suporte técnico que favoreça uma resposta do organismo.
2º MITO – O médico cura todos os males:
Se assim fosse não tínhamos inúmeras doenças incuráveis que assolam a comunidade, doenças milenares como a lepra e tuberculose continuam assolando e matando a humanidade e até mesmo o médico ou seus parentes e amigos.
3º MITO – A medicina é um sacerdócio:
Para ficar próximo de ser, na formação médica teríamos como base principal educação religiosa, as faculdades seriam conventos e a bata seria batina, no entanto alguns médicos se declaram ateus e vêem o ser humano como peças além de publicar em seu código de ética art. -3º em que deixa claro sobre sua remuneração justa.
4º MITO – os médicos são unidos e companheiros:
Os médicos assumem variadas especialidades e funções completamente contraditórias e com interesses antagônicos tornando-os concorrentes e competitivos, onde acaba envolvido em um jogo econômico de mercado, fazendo valer a frase de que “ é cobra engolindo cobra” e “ salve-se quem puder”.
5° MITO – o médico mata ou matou seu paciente;
Não se tem relato de médicos assassinos, excetos no período nazista ou em casos raros, ou talvez em algum acidente inevitáveis. O que mais acontece é a não resolutividade, em situações extremas onde a gravidade e condições inadequadas resultam em fatalidades, deixando uma profunda revolta pela perda do ente querido que atribua o fato ao ato profissional, transformando um potencial herói em bandido.
6° MITO - O médico sabe tudo:
Em medicina não há sabedoria, o que existe, a exemplo de outras ciências é o binômio ensino/|aprendizagem e conhecimento técnico a cerca do ser humano, no tocante a sua anatomia, fisiologia, histologia, farmacologia e patologias afins, associando tais conhecimentos promove-se condições adequadas para manter o suporte básico à vida, através de equilíbrios hemodinâmicos ou fármacos capazes de inibir ou até erradicar macro e microrganismos nocivos ao corpo. O ser humano é indecifrável e possuem características não matérias, não palpável e não mensurável que envolve sentimentos e pensamentos, portanto longe de ser explorado ou controlado pelo médico.
7° MITO - o médico errou de mal, proposital:
A preparação de um médico, a exemplo de outras não menos importantes profissões, tem início no berço, praticamente todos foram criados por pais dedicados, honestos, educados, equilibrados, amáveis com sues filhos e em lares e ambientes dignos da formação humana, que com grandes sacrifícios conquistaram o direito de formar um profissional, portanto é raro e quase impossível conseguir ser médico sendo oriundo de lares desajustados, gangues, boca de fumo ou outro ambiente socialmente deturpado, o que não nos permite pensar que qualquer profissional que cometa um erro, seja premeditado, agindo como um criminoso.
8º MITO - O que o médico disser é verdade incontestável:
A medicina é a vida do ser humano segue a regra da relatividade, portanto não há verdade absoluta, fazendo da profissão, altamente de risco, uma ciência do “pode ser” onde quase tudo pode ser diferente do que aparenta ser, praticamente todas as doenças possuem vários diagnósticos diferenciais, e os diagnósticos possuem condutas diferentes e até aparentemente antagônicas.
9º MITO - O médico é rico e medicina muito dinheiro.
Para formal alguém em um país capitalista inicia com a criação intra-uterina onde a mãe já gasta bastante desde a fecundação até o parto do doutozinho, daí para frente, desde o NAN-I até a especialização que termina, se tiver sorte, por volta dos trinta anos, os custos atingem cifras consideráveis, ficando reservados ao pequeno grupo.
Na carreira profissional a profissão é limitada as suas habilidades, portanto o profissional, só recebe o que executa, não há mecanismos de multiplicação do exercício profissional, não recebe devidamente e honestamente um só real que não tenha feito o ato médico, mesmo que seja dar uma “OLHADINHA”, assim sendo seus recursos aumentam à custa de aumento de jornada de trabalho, que chega a preencher 80% do seu tempo de vida útil, para piorar seus procedimentos na maioria dos casos, são tabelados, pelos órgãos públicos, convênios ou lei de mercado. Daí os repasses financeiros que são destinados ao médico cobrem somente os gastos com sua vida pessoal digna de quem precisar de tranqüilidade para errar menos.
10º MITO - Medicina é uma profissão brilhante.
Ao encontrarmos em um serviço de pronto atendimento podemos ver o brilho, das macas enferrujadas com colchões fétidos, paredes sujas e cheiro de sangue, suor, urina e fezes, de pacientes que se misturam com aventais brancos, salas quentes poucos higienizada.
Para abrilhantar o ambiente cirúrgico, estão os equipamentos da última geração, isto é, já com seus dez anos de uso, mas ainda estão funcionando prontamente.
O brilho dos ambientes de trabalho é variado por o mundo a fora, desde o granito do Hospital Sírio Libanês, ao improvisado posto de atendimento numa vacaria na ilha das batatas município de Ilha Grande do Piauí.
Mas o brilhantismo está no interior destes grandes homens e mulheres que não medem esforços e vivem sempre os mesmo em meio tamanha adversidade.
Dr. José Osvaldo Gomes dos Santos
Ortopedista / Traumatologista



